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Gente
Que Faz |
Dignidade
na roleta
Ademir Barcellos
de Lemos está na Vicasa há
quase sete anos, numa função
nova em sua vida – a de cobrador.
O colega é o que os modernos chamam
de multimídia, ou no jargão
do futebol, um coringa. Já foi bancário,
supervisor da segurança de um shopping
e por dezoito anos trabalhou em um escritório
de uma empresa de tintas.
Depois de um tempo desempregado, foi atrás
da roleta que Ademir sentiu o gosto do trabalho
novamente. “Devido a minha idade,
não consegui mais trabalho na minha
área, então surgiu
a oportunidade de ser cobrador. Para mim,
está sendo muito gostoso esse serviço.
É um trabalho
tão nobre e com tanta responsabilidade
quanto os outros”.
Por falar em idade, ele está com
54 anos – e garante que nas folgas
ainda bate uma bolinha.
“Também gosto de ir num baile.
Graças a Deus minha vida é
boa”.
Um dos motivos dessa vida boa é a
família de Ademir, “eles são
legais pra caramba!”, atesta.
Há 18 anos ele tem uma união
com Vera Regina, “uma ótima
esposa, muito culta, ela é
advogada”.
Ademir tem dois filhos, Douglas, de 25 anos
e Daniela com 30. Os dois rebentos são
frutos de
casamentos anteriores e Daniela é
sua enteada. “Eu que a criei, desde
um ano de idade. Ela me chama de pai e eu
a considero minha filha”.
A busca de Ademir para se relacionar bem
com as pessoas é o que fica evidente
durante nossa entrevista. Tanto que ele
conta que, mesmo separado há muito
tempo, se dá bem com a ex-esposa
e sua família, a Finger.
Ademir é assim, daquelas pessoas
que agregam amigos, que cativam. Durante
a nossa conversa, ele até convidou
este repórter para um churrasco!
“A vida está tão difícil
nesse mundo, que temos mais é que
fazer amigos”. Vale o recado.
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Perfeitamente
humano
Clesio Gonçalves Carletti é
um motorista experiente. Atrás de um
volante desde os 18 anos, há 15 ele
transporta os passageiros da Morungava. A
fórmula para conseguir ficar tanto
tempo numa profissão e 15 anos numa
empresa é tão simples quanto
natural – “Tem que gostar do que
faz. Se a pessoa tem esse dom fica, como eu
e outros colegas, 15, 20 anos. Se o cara não
gosta do pára-arranca, larga no primeiro
mês”.
Mas a tal fórmula tem variações:
“Tem que sempre tentar fazer a coisa
certa, para poder errar
de vez em quando. Porque perfeito, ninguém
é. O negócio é acertar
sempre mais”, diz ele, facilitando a
sentença anterior.
Pensando em erros e acertos, Clesio lembra
de quando era caminhoneiro. Uma bola fora.
“O caminhoneiro dorme no caminhão,
fica até 10 dias fora de casa, come
cada dia num lugar e é muito cansativo
fazer aquele horário longo, sem parar.
Basta ver na TV, quantos tomam remédios
para não dormir. Dirigir ônibus
é melhor”.
A vida de caminhoneiro era difícil,
ainda mais para o caseiro Clesio. Assim, o
trabalho na
Morungava caiu em suas mãos como uma
luva. “Gosto de chegar em casa de tardezinha,
tomar um chimarrão, conversar com minha
mulher. Chego e a janta já está
pronta...”. É, esse não
volta mais para o caminhão!
Caseiro e um “cara família”.
Clesio é casado há 23 anos com
Maria. O casal tem dois filhos – o Marcelo,
de 21 anos e o Maurício, de 19. Mas
como “ninguém é perfeito”
(lembram?), de vez em quando o encorujado
colega bate asas. Coxas, na verdade: “Quando
dá vou num bailão, dançar
um pouco, tomar uma cervejinha”, com
moderação, para trabalhar bem
no outro dia. Se falta perfeição,
ele compensa com dedicação.
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Uma
guinada na vida
Começamos retrocedendo seis anos e
meio a vida de Jair Rabelo Trajano. Vindo de Santa
Catarina, ele se instalava com a família em
Gravataí para fazer o que sempre fez –
trabalhar na roça. Plantavam radite e tempero
verde e, com isso, “sobreviviam”, como
diz o próprio Jair.
Tentando melhorar de vida, o menino que sempre
gostou de dirigir tratores decidiu ser caminhoneiro.
O pai reclamava da distância de casa. “Mas
eu não queria aquela vida sacrificada. Gosto
de ir para a roça para curtir. Viver lá...
E se eu ficasse doente? Sem carteira assinada, sem
nada...”, ele retrata.
Então a atitude: “Decidi dar um outro
rumo na minha vida, queria estudar, um trabalho melhor
e também montar uma banda”. E foi atrás.
Mesmo com carteira profissional de motorista, pediu
qualquer chance para trabalhar na Vicasa Cachoeirinha.
Ingressou como cobrador e começou a sua escalada.
De cobrador à motorista e, dez meses depois,
promovido a instrutor da Escola de Condutores da
Vicasa. Vida profissional em ascensão, algumas
dificuldades perduravam. Ele mudou-se de Gravataí
para Cachoeirinha e quando chegava em casa “não
tinha ninguém pra conversar”.
Duas coisas mudaram sua vida: sua atitude e a Vicasa.
Até o problema da solidão foi solucionado
por intermédio da empresa. Ele conheceu sua
esposa no ônibus! A Leila.
Agora só faltava a banda. Jair, o vocalista,
entrou na Alma Jovem e faz shows nos finais de semana.
Leila cuida dos negócios da banda.
Seis anos e meio depois, Jair é só sorrisos.
“Me sinto realizado. Antes da Vicasa eu não
tinha nada, agora tenho um carro, minha casa. Não
falo para aparecer, mas porque fui eu que construí”,
diz, orgulhoso.
E agora Jair, o que falta? “Quero fazer uma
faculdade. Vou me formar de qualquer jeito! Nem que
seja
fazendo uma disciplina por semestre!”. Alguém
duvida? |
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A
beleza do concreto

Luis Carlos dos Santos é
cobrador e tem 25 anos de empresa. Ex-metalúrgico,
ele contabiliza os benefícios da sua vinda
para a Vicasa, na unidade de Cachoeirinha. Entre
as vantagens, a geografia: “Antes eu trabalhava
em Porto Alegre e, morando em Cachoeirinha, ficava
bem difícil”. Outro ganho é
de segurança, “porque a metalurgia
é bastante perigosa” – basta
ver nosso presidente que perdeu um dedo da mão
quando era operário.
Depois de 25 anos, a vida de Luis Carlos está
enraizada na Vicasa. “Tenho muitas amizades,
aqui tem gente muito boa”. O seu envolvimento
com a empresa é tamanho, que transcendeu
gerações em sua família. Seu
filho mais velho, Cristiano, é motorista
e dos seus 33 anos de vida, já está
há cinco no volante da Vicasa.
O time, ou melhor, a família se completa
com a esposa Ereni, com as filhas Fátima
(26) e Cristina (23), e com os netos: Yasmin, Cleber
e aquele que o Vô teima em apelidar carinhosamente
de Gordinho.
Simples, Luis não é de muitas invenções
quando se trata da sua folga. O negócio é
reunir a turma. “Quase todo o domingo faço
um churrasquinho para juntar filhos e netos. Nas
férias a gente dá uma chegadinha na
praia ou na casa dos parentes. Mas em geral, folga
é para descansar”, resume.
Simples e modesto, quando perguntado sobre um sonho,
Luis não hesita e escolhe o que não
lhe escapa às mãos. “Sonho em
conseguir me aposentar numa boa, descansar e deu.
Sei que não vou ficar mais rico nem mais
pobre, então o negócio é levar
uma vida normal”. Está aí a
visão de quem enxerga beleza no concreto.
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Alta
fidelidade

Luis Alberto Kolling é
o legítimo filho da Vicasa. Ele nunca trabalhou
em outra empresa e
está conosco desde seus 16 anos, em 1968. Hoje,
motorista, o colega olha para trás, remonta
sua vida e nos conta um pouco das suas memórias.
O envolvimento de Luis com a empresa é uma
questão familiar. Quando entrou na empresa,
em Canoas, de cara foi escalado como cobrador, para
trabalhar ao lado de um importante motorista –
seu próprio pai. Seu Sigfrid tirava o coro
do guri, mas também o ensinou muito.
Esta é para quem acredita que na vida as coisas
se repetem: iniciado na Vicasa pelo pai, Luis
Alberto agora transmite seus aprendizados para o filho
Luis Claiton - que já está com quase
10 anos de empresa. Agora só falta o Luis colocar
seu filho na Vicasa! Ah, falta o filho também!
Luis ainda não tem netos e está aguardando
“indignado”.
Luis Alberto é casado há 34 anos com
a aspirante a vovó, Iolanda. O casal tem dois
filhos,
o Luis Claiton e a Clarice.
Quando está de folga, o colega não tem
dúvida, corre para a praia. “Tenho casa
em Capão da
Canoa. Inclusive os caras aqui da Vicasa vão
todos para lá, eu alugo algumas peças
para o pessoal. Lá eles se soltam”, conta
ele, com um sorriso que denuncia as estripulias.
O tempo passa para Luis Alberto, mas ele pouco sente.
Durante nossa entrevista, demonstrou
bastante animação e afirmou que nunca
se cansa – nem do trabalho,“com as tabelas
de
hoje em dia nem dá para cansar”, nem
da família. “Estou casado só há
meia dúzia de anos”, diz com a
leveza de quem não encarou os 34 anos de casamento
como um fardo. Ao conversar com Luis
Alberto, parece que tudo na vida é mais leve... |
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Uma
vida de trabalho

Há 29 anos uma rotina.
Emprego, amigos, lições, vitórias,
uma vida. Alguns dos leitores ainda nem têm
29 anos... e esse é o tempo de trabalho de
Wilmar Manara como borracheiro na Vicasa. Uma união,
entre colaborador e empresa, que deu certo.
Wilmar conta que seu trabalho é pesado, mas
que, durante esse tempo todo de serviço, desenvolveu
suas técnicas: “Aprendi as manhas, os
atalhos para não forcejar muito”. O grande
atalho, no caso dele, é a organização,
“mais o capricho ao examinar o desgaste dos
pneus, ao fazer as trocas. Tem de levar tudo controlado”,
ele ensina.
Depois de tanto tempo de trabalho e dedicação,
Wilmar revela um novo projeto para sua vida –
a aposentadoria. Quando se fala em aposentadoria,
tem-se uma idéia superficial de que se trata
só de parar de trabalhar. Mas o colega sabe
que não é só isso. Abandonar
uma rotina de muitos anos, um casamento de sucesso
com a Vicasa, não é fácil.
Ele já está aposentado, mas ainda não
parou. Falta-lhe o pé-de-meia completinho e
se acostumar
com a idéia de parar. “Estou me preparando,
para quando parar, ter uma vida tranqüila. Vou
custar a me adaptar a não trabalhar, mas estou
calmo, com os pés no chão”.
Wilmar ensaia a vida de aposentado quando está
de folga. “Vou para a minha chacrinha em
Osório. Lá é tranqüilo,
tem os passarinhos, um riachinho...”. Seus planos
são “morar lá durante
a semana, e no fim de semana passear na cidade”.
Até lá, Wilmar espera. Espera o dia
da recompensa por tantos anos de dedicação.
O dia em
que sua dedicação será exclusiva
à sua vida e à sua família –
a esposa Marli e as filhas Kelly e
Greice. Até... |
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